Ao Cadáver Desconhecido:
1. Logo nas primeiras aulas no anatômico tivemos contato com ele. Em alguns alunos, promoveu curiosidade, em outros, certo desconforto. Qual seria seu nome? Qual seria sua história? Quantos questionamentos tivemos… Com o tempo, o cadáver que antes era desconhecido passou a ser muito bem conhecido por nós. Sua pele, seus músculos, seus vasos traduziram a realidade que nem os melhores atlas de anatomia poderiam ensinar. Em seu corpo sem vida, estudamos e nos aperfeiçoamos para cuidar dos que vivem, dos que ainda sofrem. Se durante a vida ele não foi reconhecido, durante a morte adquiriu o respeito e os sinceros agradecimentos de uma turma, que com ele aprendeu mais que anatomia. Ainda não sabemos o seu nome, mas sua existência fez parte da nossa história e de nossas vidas.
2. Quando entramos na faculdade você foi quem primeiro nos acolheu. Nosso primeiro contato com a medicina. Uns tiveram medo, outros receio, outros fizeram questão em conhecê-lo desde o primeiro minuto. Antes de começar a entender o que era ser médico, você estava lá para nos mostrar o respeito. Saber como se portar diante daquele que estava no seu momento mais vulnerável, doando seu corpo com a única finalidade de nos ensinar. Estava sempre ali, disposto a nos acrescentar a todo instante. De meninos nos tornamos homens, de alunos nos tornamos médicos, e pra sempre lembraremos de ti.
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